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Terras da beira montra de livros


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Rui Ferreira e Sousa E Assim Se Fez Luz
A escritora argentina Elza Osorio conta em "Há Vinte Anos, Luz" a história de uma menina, filha de pais desaparecidos, que descobre a sua verdadeira identidade. Roubada à mãe, uma militante de esquerda assassinada pelos militares durante a ditadura de Videla, é entregue à filha de um tenente-coronel torcionário como um troféu de guerra. Um livro inquietante que pertence à família dos romances que não nos larga do princípio ao fim. O PÚBLICO falou com a autora.
Está-se em 1976, Isabel Péron é detida e o que nasce nesse ano em sua substituição na Argentina é uma ditadura fascista, obsessiva, descontrolada, arbitrária, cirúrgica, em que os direitos humanos valem zero: milhares de mortos e desaparecidos e centenas de crianças sequestradas pelos militares.

É o medo e a loucura desse tempo, através do percurso angustiante dessa extraordinária e atraente personagem de Luz que a escritora Elza Osorio retrata no seu romance "Há Vinte Anos, Luz", editado pela Asa, numa tradução de Artur Ramos e Maria Helena Ramos.

Elza Osório nasceu em Buenos Aires e vive há sete anos em Madrid. Ganhou o Prémio Nacional de Literatura da Argentina em 1983 com o livro de contos "Ritos Privados". Escreve contos, romances, crónicas, guiões para televisão e cinema, normalmente comédias. A escritora disse que gostava de "escrever coisas cheias de humor" e foi esse registo mordaz uma das razões por que ficou também conhecida. Tinha uma coluna política e humorística na revista "Expresso, de Buenos Aires e chegou a ganhar, em 1989, um Prémio de Jornalismo de Humor por essas crónicas que reuniu num volume intitulado "Las Malas Línguas".

Sobre este seu último romance, o primeiro editado em Portugal, Elza Osorio disse que "quis dar a voz a essa menina chamada Luz". Luz de sol que ilumina sobre as trevas da ditadura argentina do comandante da Junta Militar, designado presidente, general Jorge Rafael Videla. Luz, a menina que busca a sua identidade de filha de pais "desaparecidos", ou seja, de pais militantes de esquerda que foram sequestrados, torturados e assassinados.

É uma história ficcionada, com personagens inventadas, mas tão "reais", tão "humanas" nas suas contradições, nas suas utopias e na sua crueldade, que nos parece estar a viver dentro de um tempo que é o nosso - foi apenas há vinte anos e foi tão desumano que é impossível esquecer e muito menos perdoar. Que o digam as Mães e as Avós da Praça de Maio, de Buenos Aires.

"Quando escrevi este livro, pensei nas crianças argentinas que não têm uma avó heróica como as Avós da Praça de Maio e pensei também na luta e na dor dessas mulheres", disse Elza Osorio ao PÚBLICO. Fez entrevistas, conversou com muita gente na Argentina, meteu-se pelo drama dentro e o facto de viver em Espanha há sete anos deu-lhe o distanciamento para escrever com alguma frieza. Levou três anos a fazê-lo.

Quantos segredos não estão escondidos naquela sociedade? Quantos jovens não colocam a si mesmo as dúvidas da sua paternidade? Quantas pessoas não se culpam por não conseguirem enfrentar a verdade? Será melhor deixar como está?

Estas questões põe-nas Elza Osorio, mas o seu desejo não foi levar a cabo uma investigação. "Aproximei-me da história pela ficção, foi uma forma oblíqua de tocar na verdade". E foi a opção correcta da escritora porque ao abordar um problema terrível como este, através de personagens tão carnais no seu amor e ódio, nas suas emoções e desejos, nos seus medos e contradições, a autora construiu um livro alucinante tão verdadeiro e nada panfletário, que faz dele um "romance testemunho", mais eficaz do que todas as estatísticas ou ensaios sobre o assunto.

É que o leitor atravessa, em mais de trezentas páginas, o nascimento e o crescimento do terror de Estado num país entregue a militares sem escrúpulos cuja cegueira política se transforma em insanidade mental.

Que descobre Luz? Descobre, por exemplo, que a sua verdadeira mãe, Liliana, foi assassinada pelo seu "adoptivo" avô militar, que o seu pai "adoptivo" Eduardo quando descobre a verdade é assassinado pelo próprio sogro Tenente-coronel Alfonso Dufau, que a sua falsa mãe Mariana é uma doentia anticomunista e que a sua avó "adoptiva" Amália é uma devota cúmplice de todo este sistema.

E soube que os militares sujeitavam as presas à "picana" (dispositivo de tortura com choques eléctricos) e punham-lhes um "tabique" (venda preta para os olhos), além de as violar e "trasladar" (enviar para a morte, assassinar), enquanto as grávidas eram "chupadas" (sequestradas) até terem os bebés, roubando-os depois para os dar às famílias ricas do regime.

Mas soube igualmente que existe ainda, nalgumas pessoas, afecto, solidariedade e paixão, porque essas coisas do coração e da alma são indestrutíveis. Soube, por exemplo, dos amores da militante de esquerda Dolores com Eduardo, da afeição da prostituta Miriam por Liliana e por ela mesmo como se fosse sua mãe. E viveu a sua própria paixão, contrariada pela falsa mãe, pelo jovem antimilitarista Ramiro.

E soube, acima de todas as coisas, que o seu verdadeiro pai, Carlos Squirru estava vivo e exilado em Madrid. Por fim, respirou de alívio por ser filha de quem é, de pais revolucionários e não de torcionários, como pensava, e que por essa razão vivia atormentada.

Um livro que irritou muita gente

Elza Osorio construiu em "Há Vinte Anos, Luz" uma arquitectura romanesca muito de "romance policial", em diversos planos narrativos, num encadeamento de relatos, que se unem enquanto demora a própria narrativa, dividida em três partes: a1ª em 1976, a 2ª em 1983 e a 3ª em 1995-1998. O leitor sabe que o verdadeiro pai de Luz está vivo porque é esse encontro e o que se conta nele que forma o romance. E vai sabendo como tudo se passou, ao mesmo tempo que Luz descreve os factos a Carlos Squirru.

"Eu escrevo através do olhar das personagens, mas nunca pelo de Liliana, a verdadeira mãe de Luz, que foi torturada e assassinada, porque não queria ir pelo caminho do horror", acrescenta Elza Osorio. Talvez pela sua sobriedade, clareza, pelo seu estilo directo, económico, quase seco, não excessivo, mas sempre emotivo, este livro agitou muitas consciências na Argentina. Tornou-se polémico, defendido e atacado. As suas personagens irritaram, aliás, muita gente, porque são pessoas correntes. E muitos identificaram-se com elas. Duas raparigas, depois de terem lido o livro, anunciaram que desejavam saber a verdadeira identidade. E os militares não conseguiram esconder o seu incómodo.

Em 1976, a autora tinha 24 anos e como todos os jovens da altura, "desejava uma sociedade mais justa". Apenas ter este desejo, sem fazer mais nada, era suficiente para ser assassinado. Hoje, para combater a amnésia argentina que se instalou, Elza Osorio colabora com um grupo de juizes independentes, em Madrid, "Juizes pela Verdade" que procuram entregar à justiça os culpados pelo genocídio. Somente 14 desses militares estão hoje detidos por esses crimes, nomeadamente pelo "delito de apropriação de menores".

A hipócrita lei do "Dever de Obediência"

Foi no governo socialista de Raul Alfonsín (1983-1989) que foi declarada impunidade aos militares da Junta de Videla através da lei do "Dever de Obediência", uma hipocrisia cozinhada em 1985 que impediu os militares e torturadores de pagarem pelos seus crimes. "É uma lei feita em democracia, o que é estranho", diz a escritora. Uma situação incompreensível para os familiares das vítimas.

Elza Osorio põe estas palavras (pág. 247) na boca de Ramiro, o apaixonado de Luz, a propósito da libertação, em 1987, dos "militares filhos de mil putas":

" - Claro que depois veio o dever de obediência, o ponto final, e o indulto. Indultaram-nos depois de terem sido julgados e condenados, estás a perceber? Um cretino, esse Menem. Isto é um país de amnésicos"

"- Que lei foi essa do dever de obediência?", pergunta-lhe Luz.

(...)

" - A lei do dever de obediência foi aprovada em 1987 e significou que centenas de torturadores, assassinos, estão livres, não são responsáveis, porque recebiam ordens, como se alguém te obrigasse a fazer as coisas horrendas que fizeram."

Umas linhas a seguir, Luz confessa a Ramiro, sentindo um grande alívio:

"- O meu avô, o pai da mamã, é um desses, salvou-se pelo dever de obediência."

Estas medidas de protecção do aparelho militar foram ratificadas pelo governo de Carlos Meném a partir de 1989 numa pretensa reconciliação nacional baseada no "esquecimento e no silêncio".

Por isso, o livro de Elza Osorio assume uma importância maior no retrato desta realidade que as "Abuelas de Praza de Mayo" têm vindo a denunciar ao longo dos anos, procurando localizar e restituir às famílias legítimas as crianças roubadas pelos militares. Aquela associação das "Abuelas" conta com uma ajuda de juristas e de médicos com capacidade para fazerem estudos hematológicos e genéticos no sentido de descobrirem a sua identidade e filiação. Existe mesmo uma lei (nº23.511) que permitiu criar um Banco de Dados Genéticos onde figuram todos os mapas genéticos das famílias com filhos desaparecidos.

Elza Osorio escreveu também os livros "Reina Mugre" (romance), "Beatriz Guido" (biografia romanceada), "Mentir a Verdade" (ensaios), "Como Tenerlo Todos" ( textos de paródia), "Já Não Há Homens" (guião para filme).

O seu próximo livro tem a ver igualmente com a busca de identidade. Passa-se no início deste século na Argentina, no ambiente do tango e a protagonista é uma mulher que sai de uma casa de baile de Buenos Aires e vai frequentar pessoas de diversas classe sociais e ideológicas, questionando toda a gente sobre os acontecimentos históricos do país. "É também a história de Buenos Aires", disse Elza Osorio.

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Expresso
Luísa Mellid- Franco A identidade na primeira pessoa
Elsa Osório nasceu em Buenos Aires e há cinco anos que vive em Madrid. O facto de ter nascido onde nasceu e de ter 25 anos no fatídico ano de 1976 terá sido determinante, mas trazer este livro «debaixo do braço», publicando-o no preciso ano da sua chegada, não deixa dúvidas sobre a importância que a autora lhe outorga e simultaneamente sobre a sua coragem, assumido o receio e o mal-estar que o tema ainda inspira no seu país.
Apesar de declarar peremptoriamente que o seu romance não é autobiográfico, Há Vinte Anos, Luz só o não é no sentido estrito da teoria dos géneros. As fronteiras entre o que se vive e o que se vê, entre o que se sofre e o que se vê sofrer, são ténues em termos de legado testemunhal, até porque é raro a vítima directa, infelizmente, poder dar voz à extensão da sua dor e ainda menos veicular na sua a dor dos outros. Este seu primeiro romance publicado em português e, reitero, também inédito em espanhol até 1998 (embora a autora tivesse já seis livros publicados na Argentina), começa precisamente por um curto prólogo de sete páginas, que tem lugar em Madrid nesse mesmo ano, onde o desenlace é dado ao leitor, o que (pelo menos no meu caso) o deixa um pouco inquieto quanto às 300 páginas seguintes. O risco em que Elsa Osorio incorre, em termos de escrita, vem porém confirmá-la como uma escritora de primeira água, até porque nessa viagem em três partes (1976, 1983 e 1995-1998), estendendo-se por 17 capítulos de uma intensidade dramática que a autora sustenta sem quebras, o leitor repousa finalmente num brevíssimo epílogo de duas páginas, que prolonga a narrativa para além do texto, numa clara e merecida homenagem às «Abuelas» (avós) da Plaza de Mayo.

O argumento é relativamente linear e conhecido, embora tenha alguma dificuldade em defini-lo desse modo. Como referi no primeiro parágrafo e tendo a obrigação de respeitar o facto de, como a autora declarou, este livro não ser uma autobiografia, não consigo tratá-lo como ficção. O testemunho compactado de uma enorme quantidade de tragédias pessoais que para sempre constituirão um capítulo sinistro da história recente da Argentina, a perseguição sistemática dos opositores e o imperdoável roubo dos bebés recém-nascidos, entregues a famílias que o sistema considerava idóneas, apagando todos os rastos da passagem dos seus pais e substituindo-se a eles, é, no mínimo, absurdo e cruel. Se o facto de tal prática ter existido é, já por si, inclassificável do ponto de vista humano, é igualmente uma acção irreversível, ainda hoje, deixando marcas indeléveis em toda uma geração.

Para alguns, a persistência das avós, em nome dos filhos desaparecidos, tornou possível criar um banco de dados onde está o sangue dos familiares, o que permite a pesquisa e o reencontro da identidade; para outros, cujos afectos se desenvolveram com um pai e uma mãe que sempre pensaram ser os deles, que na maioria dos casos os trataram como pais extremosos, canalizando muitas vezes um amor frustrado pelo facto de não poderem ter filhos, acrescido da circunstância de constituírem a classe dominante (e assim a mais favorecida intelectual e financeiramente), nunca se poderá medir a extensão do mal praticado sobre seres recém-nascidos.

No caso da protagonista, ninguém a reclama mais do que a sua própria dúvida, uma dúvida que habita nela desde os sete anos e que vai crescendo, inexorável, até ao nascimento do seu próprio filho, em que uma ansiedade injustificada quando o bebé sai do seu lado transforma a sua dúvida em certeza. É na busca da sua identidade, da sua verdadeira história, para a qual Luz não tem, à partida, mais do que uma memória muito remota, e as palavras de uma desconhecida que cruzou fugazmente a sua vida, deixando-lhe uma frase que nunca esqueceu, «Aquela não é a tua mamã», que Luz mergulha. E no seu caso, ainda que dramática e, no início, com poucas probabilidades de resultar, a busca termina de uma forma coerente e positiva, ajudada pelo facto de, em ficção, se poder vitimizar o pai adorado e anatemizar a falsa mãe, matando de morte natural o próprio avô militar para não ter de se confrontar com ele. Os indícios, as falsas pistas, as confissões e os acasos são admiravelmente geridos pela autora, que utiliza o itálico para interromper com comentários, num registo temporal presente, a história que Luz vai contando ao pai recém-encontrado, numa transposição, bastante conseguida, de um passado confuso para uma narrativa potenciada pela actualidade, dado que o lançamento do livro em Espanha coincide com o pedido de extradição de Pinochet. É, no entanto, uma historia deliberadamente não política no sentido rigoroso do termo. É antes o lado humano, privado e dificilmente transmissível enquanto vivencial, onde os afectos oscilam entre a paixão dos homens e o horror do sistema. Talvez por isso, o nome do general Videla está totalmente ausente do texto, apenas existem algumas alusões (negativas) a Raúl Alfonsín, postas nas bocas dos parentes dos antigos militares (particularmente nas palavras de Mariana, a «mãe» da protagonista), despeitados, para acusá-lo de cobardia e debilidade política.

Mais do que um bom livro, é um livro imprescindível para uma compreensão, tanto quanto possível transparente, das ainda incomensuráveis consequências de uma barbaridade institucionalizada. O irremediável rememorado, para que o pudor cresça e o horror que Elsa Osorio descreve nunca mais tenha lugar.

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Revista Visao
Sara Bello Luís Um silêncio ensurdecedor
A um crime brutal, o dos bebés roubados à nascença a Argentina respondeu calada. Elsa Osorio contrpôs-lhe um corajoso romance.
Em sua casa havia livros-uns que podíam ser lidos e outros que lhe estavem vedados, porque faziam parte da lista de leiturass "impropias" para meninas que queriam ser exemplares. Estamos na Argentina dos anos 60 e, sem que ninguém repare, a jovem Elsa volta a pôr no mesmo lugar o exemplar prohibido, precisamente aquele que mais lhe interesava. Agora Elsa Osorio deixou seu país para viver em Madrid e a biblioteca da casa da sua familia em Buenos Aires lembra-lhe os deveres de quem escreve. " Creio que um escritor debe ser indiscreto, como alguém que olha para o quarto contiguo pelo buraco da fechadura. Debe ver e escutar tudo, debe andar por aí..."
Já vai longe o momento em que Elsa Osorio começou a escrever. Mais longe até do que aquilo que ela propia poderia supor, desde que encontrou uns "contos disparatados", salvos pela mao do seu pai. Sabe-se lá porque é que levou tempo a decidirse pela escrita- a profisao que , actualmente, lhe toma a mayor parte do tempo, a par da colaboraçao numa ONG. Da sua bibliografía, consta já de seis livros, mas é do sétimo- o mais recente- que se fala: Há vinte Anos, Luz, um romance sobre as crianças roubadas à nascença durante a ditadura militar arxentina.( ver caixa)

NAO ESQUEÇER!

O tempo que viveu na Argentina sobrou para conhecer de perto a situaçao, resultado de um crime bárbaro que se prolonga no tempo-ainda por cima, com o "requinte" de se ter tentado apagar todos os vestigios. "Queria mostrar essa outra tortura que nao é visible, o modo como o horror da ditadura se impregnou em todas as situacçoes da vida", explica a autora, que fala portugués, por ter vivido uns meses no Brasil.

Ao ler Há vinte anos, Luz é fácil adivinar que se está perante uma escritora que, enquanto leitora, devora policiais. Elsa Osorio revela.se excelente no domínio do suspense. Ela nao nega e diz-ainda que a medo, nao vá alguém lembrar-se de apontar que esse é um género literario menor, pouco adequado a quem venceu o Prémio Nacional de Literatura argentino...- que os romances de intriga ingleses foram as suas primeiras leituras.

Elsa Osorio conhece pessoalmente algumas das maes da Paraça de Maio, o movimento de mulheres que procura os seus filos, celebrizado nos anos 80 por Sting, na cançao The dance alone."Agora, há jovens que procuram eles mesmos a sua identidade. Mas devo dizer que uma grande parte da sociedade nao quer falar, nao quer saber. Porque é um tema que compromete ao conjunto da sociedade" defende. "Creio que há feridas que nao devem esquecer-se. Actualmente os criminosos cemeçam a ser julgados, mas foram muitos anos de impunidade e ainda há quem proteja os genocidas. Espero também que se faça literatura

destes temas- fazêlo é o mesmo que dizer diariamente, "nao esquecer!" Nao para viver com a dor, mas para se poder respirar" Porque, a pesar de ser uma "cadeia de mentiras", a literatura é bem capaz de, rigorosamente, desenahar a realidade"

(caixa) A procura de si

A história começa pelo fim, por um final feliz: por um final feliz: Luz Iturbe viaja até Madrid para conhecer o pai, Carlos Squirru, e, à mesa de um café. Pai e filha reconstituem o seu passado comum. O leitor recua, entao, até à Argentina de 1976, quando os militantes de esquerda eram perseguidos e crianças roubadas à nascença eram entregues a outras familias. Em Há vinte anos , Luz (Ediçoes Asa) ,Elsa Osorio agarra o leitor pelos colarianhos e conta o drama do qual só agora se começa a falar, o dos jovems que procuram a sua identidade, Um livro corajoso, para ler de fio a pavio.

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Terras da beira Montra de Livros
"Há vinte anos, Luz", de Elsa Osório
Romance de denúncia e de esperança. Luz Iturbe, argentina, viaja até Madrid para conhecer o pai, Carlos Squirru, e contar-lhe a sua história. Uma história que começou em 1976, quando a Junta Militar ocupava o poder e os militantes de esquerda eram sequestrados, torturados e assassinados. Entrelaçando um amplo leque de personagens, pondo a nu aspectos desconhecidos da sociedade argentina nos tempos da ditadura, "Há vinte anos, Luz" constrói-se como uma história em que o suspense se mantém da primeira à última página. Mas também como uma história de amor, desse amor que obriga cada um dos protagonistas a tirar a venda dos olhos e a procurar obstinadamente a verdade. Numa história absorvente e comovedora, Elsa Osório conta o drama das crianças roubadas ao nascer durante a ditadura militar argentina.


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