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Baseado no tráfico de recém-nascidos nas detenções argentinas durante a ditadura militar, HÁ VINTE ANOS, LUZ, de Elsa Osorio, é um comovente romance sobre uma jovem em busca de sua identidade. Traça a história de Luz, filha de um casal de presos políticos, Carlos e Liliana, que é arrancada da mãe dias após o seu nascimento e horas antes de Liliana ser assassinada e receber como causa-mortis septecemia. Oficialmente, o bebê nascera menino e morto. Mas Luz é menina e goza de boa saúde. Seqüestrada por militares, é entregue à família de um oficial. Já adulta, percebe que o quebra-cabeça de sua história não se encaixa com perfeição. É então que Luz viaja à Espanha em busca do pai, exilado, repetindo o movimento de dezenas de avós da Praça de Maio à procura dos seus familiares. Elsa Osorio é argentina, mas vive em Madri. "Quando comecei a escrever este romance" conta a autora "sabíamos das histórias de luta das avós e de alguns casos de crianças encontradas. Hoje já há jovens que, como Luz, duvidam de sua identidade e vão averiguar na sede das Avós da Praça de Maio e nas páginas da Internet se por acaso eles não são os bebês que as famílias buscam". Atualmente, não é difícil encontrar pelas ruas da Capital Federal o seguinte aviso: "Se você tem dúvidas quanto à sua real identidade, procure-nos". A narrativa de HÁ VINTE ANOS, LUZ é fragmentada, assim como a história da protagonista. O mosaico é montado a partir do difícil diálogo entre filha e o até então desconhecido pai. Um homem que acredita que seu "garoto" não sobrevivera ao parto. Desta conversa emergem diversas vozes narrativas e distintas perspectivas sobre a origem de Luz e, conseqüentemente, sobre a história recente da Argentina. Vencedora do Prêmio Nacional de Literatura, na Argentina, Elsa Osorio também é roteirista cinema e de TV. Em HÁ VINTE ANOS, LUZ ela nos apresenta um cast de personagens que representam toda a gama de atitudes e opções morais que se deram durante os anos de ferro. Vão desde os mais abomináveis chefes militares até as vítimas, passando por aqueles que numa autêntica boa-fé sequer desconfiam do quão cruel é a realidade política do país e se assombram quando passam a vislumbrar o terror até os que simplesmente fecham os olhos diante da realidade. Carta enviada pelas Mães da Praça de Maio à editora Objetiva em 28 de Setembro de 2000 Nos ha dado mucho gusto su carta por varios motivos: ante todo, por su interés en los temas en que está comprometida nuestra vida entera, y también por la importancia de la traducción y difusión del libro de Elsa Osorio - que valoramos mucho: es apasionante y doloroso - en portugués. Esto ampliará el número de lectores y, a la vez, de personas más conscientes en lo que concierne al tema de los detenidos-desaparecidos. Hemos hablado con Abuelas para recoger el número exacto de niños localizados e identificados. El total de niños localizados hasta ahora es 68 (sesenta y ocho). Entre ellos (y esto es el horror dentro del horror) hay ocho niños muertos por la dictadura. Día tras día hay jóvenes que telefonean o visitan a Abuelas para averiguar si son hijos de detenidos-desaparecidos. Muchos no lo son; otros pueden serlo. Valoramos el coraje de esos muchachos. En cuanto al número de personas jóvenes y adultas detenidas-desaparecidas, por el momento están documentadas unas doce mil personas. La cifra de treinta mil tiene carácter simbólico, aunque lamentablemente puede no ser desacertada, debido a que todavía subsisten familias que no han hecho la denuncia sobre la desaparición de su ser querido. El origen de esa cifra de 30.000 es el siguiente: en 1977 el Dr. Emilio Mignone, presidente del Centro de Estudios Legales y Sociales y valiente defensor de los derechos humanos, comprobó que en una ciudad de la provincia de Buenos Aires, Mercedes, de cada cinco personas desaparecidas una sola había sido denunciada por su familia; las otras cuatro permanecían sin denuncia. Hecho el cálculo para todo el país, resultó la suma de 30.000 personas detenidas-desaparecidas. Actualmente hay mayor proporción de denuncias, pero aún restan, como decíamos antes, personas sin denunciar. Ignoramos su número, por lo cual no podemos brindar a usted un número exacto de personas detenidas-desaparecidas en total. Hablar de cifras es necesario. Sin embargo, el dolor por las desapariciones y la impunidad que sigue vigente son una herida viva que vuelve fríos a los números y los presenta como algo ajeno.
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